Trevo completo de uma avenida de pista dupla visto de cima, com quatro laços e as alças externas

Rodovias

Projeto de interseção rodoviária

O ponto em que a via nova encontra a rodovia já está escolhido. Falta decidir o que vai ali.

Quando é exigido

Quando o projeto de interseção rodoviária é exigido

Projeto de interseção rodoviária é o desenho da geometria desse encontro. O Manual de Projeto de Interseções, do DNIT, define interseção como a confluência, o entroncamento ou o cruzamento de duas ou mais vias. E separa as interseções em duas categorias: em nível e em níveis diferentes.

  1. 01

    Acesso autorizado com exigência de dispositivo

    O órgão aprovou o acesso e condicionou a implantação a faixas de mudança de velocidade, canalização ou retorno. O projeto do dispositivo é a condicionante.

  2. 02

    Obrigação no cronograma do Programa de Exploração da Rodovia (PER)

    O contrato de concessão fixa a obra de adequação de interseção em marco contratual. O projeto precisa estar aprovado pela agência antes de a frente de obra abrir.

  3. 03

    Notificação sobre interseção existente

    O órgão ou a concessionária aponta conflito, falta de faixa de espera ou visibilidade insuficiente, com prazo de resposta por escrito.

  4. 04

    Duplicação, faixa adicional ou contorno

    A obra reconstrói o entroncamento que já existia, e o dispositivo antigo não atende à nova seção transversal.

  5. 05

    Concentração de sinistro no mesmo ponto

    Colisão transversal ou traseira que se repete na aproximação, padrão típico de conversão à esquerda sem faixa própria.

  6. 06

    Via nova ligando à rodovia

    Loteamento, distrito industrial ou condomínio que cria um ramo onde antes não havia nenhum.

  7. 07

    Volume acima do dispositivo instalado

    A interseção foi dimensionada para um tráfego que já não é o de hoje, e a fila passou a ocupar a faixa de tráfego direto.

Acesso de baixo volume, só com conversão à direita, costuma caber nas faixas de mudança de velocidade que o manual do órgão já prevê. Projeto de dispositivo, nesse caso, encarece a pasta sem mudar a análise.

O rito do pedido de acesso está na página de acesso na faixa de domínio. Quando o mesmo empreendimento também descarrega na malha urbana, a prefeitura cobra em paralelo o relatório de impacto de trânsito. Esta é uma das frentes dos estudos de tráfego rodoviários.

Aqui o assunto é o que se desenha depois.

Pular a cena

O dispositivo

O que o projeto define

A primeira decisão é o tipo de dispositivo, e ela sai do volume convertido, não do volume que passa. Essa decisão começa pelo volume que converte à esquerda na hora de maior movimento, e pelo maior veículo que precisa completar o giro.

  1. 01

    em nível

    Interseção em nível com canalização

    Ilhas e canteiros separam os movimentos. O manual fixa quatro objetivos: menos pontos de conflito, conflitos simples de entender, menor frequência e menor severidade.

  2. 02

    em nível

    Rotatória

    O manual a trata como rótula e separa duas. Na convencional a prioridade é do ramo de acesso; na moderna, de quem já circula no anel. A diferença muda o cálculo de capacidade inteiro.

  3. 03

    em níveis diferentes

    Interseção em desnível

    Os movimentos cruzam em planos diferentes, eliminando o cruzamento em nível no todo ou em parte. Entra quando o volume convertido não cabe em nível.

  4. 04

    em níveis diferentes

    Trevo

    A forma mais conhecida do dispositivo em desnível. O manual separa trevo completo de trevo parcial, e trata ainda das interconexões direcionais e semidirecionais.

O Manual de Projeto de Interseções manda decidir o dispositivo maior por três filtros: tráfego, faixa de domínio disponível e impacto na segurança.

A interseção controlada por semáforo fica fora do escopo desse manual.

O dimensionamento de cada alternativa sai da análise de capacidade e nível de serviço, que diz qual dispositivo atende ao horizonte de projeto.

Os elementos

Escolhido o dispositivo, o projeto dimensiona os elementos

  1. 01

    Faixa de desaceleração e faixa de aceleração

    O manual as chama de faixas de mudança de velocidade e tabela o comprimento por velocidade de projeto, com o taper contado à parte.

  2. 02

    Faixa de espera para conversão à esquerda

    Comprimento de desaceleração mais comprimento de armazenamento, para que o veículo que gira não espere na faixa de tráfego direto.

  3. 03

    Raio de giro

    Definido pela trajetória da roda externa dianteira do veículo de projeto, no giro mais fechado a baixa velocidade.

  4. 04

    Visibilidade de parada e de cruzamento

    O triângulo de visibilidade da aproximação, com ajuste em função do greide.

  5. 05

    Canteiro e ilha

    Abrigam o veículo que espera, ordenam a trajetória e recebem a sinalização.

Viadutos e alças de um dispositivo em desnível numa avenida urbana, vistos de cima

Atrás de todas essas medidas está o veículo de projeto. São cinco os que o Manual de Projeto de Interseções recomenda, adotados conforme as características predominantes do tráfego.

VP, veículos leves. CO, caminhões e ônibus convencionais. O, caminhões e ônibus longos. SR, semirreboques. RE, reboques.

Contornos e marginais

Contornos, vias marginais e acostamentos

Rodovia de pista dupla vista de cima, com vias paralelas dos dois lados, a ferrovia e uma ligação que passa por baixo
  1. 01Via marginal

    A via marginal existe para separar o tráfego local do tráfego de passagem.

    Quando o trecho urbanizado recebe acessos diretos demais, cada entrada vira um ponto de conflito na pista principal. A marginal recolhe esses acessos e os concentra em poucas interseções, que aí sim recebem dispositivo dimensionado.

  2. 02Contorno

    Contorno construído onde quase todo o tráfego é local não alivia a travessia.

    O contorno resolve o mesmo problema em outra escala, tirando da travessia urbana o tráfego que só passa. O estudo que o sustenta separa a parcela de passagem da parcela com origem ou destino na cidade. É a pesquisa de campo que responde essa divisão.

  3. 03Acostamento

    O acostamento entra no projeto da interseção como espaço lateral.

    Ele acomoda o veículo avariado, dá recuo para a manobra e afeta a visibilidade da aproximação. Onde a marginal se aproxima da pista principal, a largura do acostamento e a do canteiro separam dois fluxos com velocidades diferentes.

Travessias

Travessias, passarelas e pontos de ônibus em rodovia

  1. 01Pedestre

    A solução em nível depende de redução de velocidade que a geometria sustente, porque a placa sozinha não a segura.

    Quem atravessa a rodovia a pé cruza uma pista projetada para velocidade diretriz alta. O Manual de Projeto de Interseções tabela os parâmetros de interseção para velocidades de 70, 90 e 110 km/h. É essa diferença de velocidade que torna grave a colisão com pedestre.

  2. 02Passarela

    Passarela implantada fora da linha de desejo é contornada por baixo, e o risco volta para a pista.

    Onde a travessia em nível não se sustenta, entra a passarela. Ela só funciona quando o traçado acompanha o caminho que o pedestre já faz. O levantamento de campo registra onde o pedestre atravessa hoje, antes de definir onde a estrutura vai.

  3. 03Ponto de ônibus

    Ponto de um lado da pista gera travessia do outro, sempre.

    O ponto de ônibus em rodovia soma os dois problemas. Ele precisa de baia fora da faixa de tráfego, de abrigo e de acesso acessível conforme a ABNT NBR 9050. Precisa também de uma travessia compatível com a demanda que o próprio ponto cria.

Prazo

Prazo

Este trabalho tem dois prazos com donos diferentes.

Elaboração

O de elaboração depende do escopo contratado e de quanto levantamento de campo o dispositivo exige.

Análise

O de análise pertence ao órgão ou à agência, e nenhuma consultoria o controla.

As fases, na ordem

  1. 01

    Enquadramento

    Quem responde pela rodovia naquele quilômetro e qual manual se aplica.

  2. 02

    Levantamento de campo

    Geometria existente, sinalização, faixa de domínio e contagem por movimento.

  3. 03

    Análise de capacidade

    Volume convertido, capacidade e nível de serviço das alternativas.

  4. 04

    Escolha do dispositivo

    Canalização em nível, rotatória ou desnível, com o memorial da escolha.

  5. 05

    Projeto funcional

    Geometria do dispositivo escolhido.

  6. 06

    Projeto de sinalização

    Sinalização horizontal e vertical do trecho afetado.

  7. 07

    Protocolo e resposta a exigência

    Entrada no órgão e ajuste depois da análise.

Base normativa

Base normativa

  1. 01

    Manual de Projeto de Interseções (IPR-718), do DNIT

    Segunda edição, de 2005. Estabelece os tipos de interseção, os veículos de projeto, a canalização, as faixas de mudança de velocidade e as distâncias de visibilidade.

  2. 02

    Manual de Projeto Geométrico de Rodovias Rurais (IPR-706), do DNIT

    Geometria da rodovia em que a interseção se insere.

  3. 03

    Manual de Sinalização Rodoviária (IPR-743), do DNIT

    Sinalização horizontal e vertical do trecho.

  4. 04

    Highway Capacity Manual

    Capacidade e nível de serviço, que é o cálculo por trás da escolha do dispositivo.

  5. 05

    Código de Trânsito Brasileiro — Lei 9.503/1997

    Os limites legais de dimensão e peso dos veículos, que são a base das dimensões dos veículos de projeto.

  6. 06

    Manual de Projeto de Acessos de Áreas Lindeiras a Rodovias Federais, do DNIT

    Segunda edição, de 2024. Parâmetros do acesso quando a interseção nasce de uma ligação com propriedade lindeira, junto com a Resolução nº 07/2021 do DNIT.

  7. 07

    Portaria SUP/DER-078, capítulo III, em São Paulo

    Fixa o parâmetro de projeto do acesso na rodovia estadual paulista, e a ARTESP o aplica no trecho concedido.

Qual conjunto vale depende de quem responde pelo quilômetro.

Sem concessão numa federal, o DNIT. Com concessão numa federal, a ANTT. Numa estadual, o DER daquele estado. Em São Paulo, no trecho concedido, a ARTESP, com a concessionária instruindo o pedido.

Descobrir o órgão competente é a primeira tarefa do projeto.

É ele que define o manual, o padrão de sinalização e o formato da entrega.

Perguntas frequentes

É a área em que duas ou mais vias se unem ou se cruzam, incluindo todo o espaço destinado a ordenar os movimentos dos veículos.

A rotatória é dispositivo em nível; o trevo é dispositivo em desnível. Na rotatória, todos os movimentos passam pelo mesmo anel, no mesmo plano. No trevo, as correntes cruzam em níveis diferentes, e os giros se fazem por alças. O manual do DNIT separa ainda trevo completo de trevo parcial. E trata das interconexões direcionais e semidirecionais, arranjos em desnível com alças mais diretas.

Quem decide é o volume convertido em cada movimento. A rotatória resolve bem interseções com conversões distribuídas entre os ramos, e perde eficiência quando um movimento domina. O desnível entra quando o volume convertido não cabe em nível dentro do nível de serviço exigido. O Manual de Projeto de Interseções acrescenta dois filtros à decisão: a faixa de domínio disponível e o impacto na segurança do trânsito.

São as faixas auxiliares que separam a mudança de velocidade do tráfego direto.

É o veículo tipo adotado como base para dimensionar o dispositivo.

Quem responde por aquele quilômetro.

O número da rodovia e o quilômetro, a planta do que se pretende implantar e a exigência do órgão, se já houver.

O dispositivo se escolhe antes de desenhar, e quem escolhe é o volume convertido.

Envie

  • a rodovia e o quilômetro
  • a planta
  • a exigência do órgão ou o item do Programa de Exploração da Rodovia

Devolvemos

  • o manual aplicável
  • o levantamento necessário
  • a proposta com prazo
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