Trevo rodoviário em área rural, visto de cima

Modelagem e Simulação

Análise de capacidade e nível de serviço

O nível de serviço não diz nada sozinho. A grandeza que o produz muda conforme o elemento analisado.

O termo de referência pede nível de serviço no ano de abertura e no horizonte de projeto. Quase nunca diz em que grandeza.

O que é medido

A escala de nível de serviço, de A a F

Capacidade e nível de serviço são duas coisas diferentes, e o leitor as encontra trocadas com frequência.

Capacidade

fluxo máximo

é o fluxo máximo que o elemento comporta nas condições de via, de tráfego e de controle que existem ali.

Nível de serviço

A a F

(NS) é a qualidade da operação no volume que de fato passa, traduzida numa escala de A a F.

A escala é a do Highway Capacity Manual (HCM), publicado pelo Transportation Research Board. Na literatura em inglês o mesmo conceito aparece como level of service (LOS).

D
E
volume que passacapacidade
Um trecho pode operar em nível D com folga de capacidade viária, e outro pode estar em nível E sem folga nenhuma.

O nível de serviço diz como se roda ali; a capacidade diz quanto ainda cabe.

Pular a escala
Rodovia de pista dupla em curva, vista do alto, com duas faixas por sentido
  1. A

    Fluxo livre

    O condutor escolhe a velocidade e quase não é afetado pelos outros veículos. Na interseção, o veículo raramente precisa parar.

  2. B

    Fluxo estável

    A presença dos outros já se percebe, e a manobra ainda é feita sem restrição sensível.

  3. C

    O tráfego passa a condicionar a manobra

    Ultrapassagem e troca de faixa exigem espera, e a fila da interseção se forma e se dissipa a cada ciclo.

  4. D

    Operação próxima do limite

    Pequenos acréscimos de volume produzem quedas grandes de velocidade e saltos de atraso. É o nível que mais aparece como limite em termo de referência.

  5. E

    Operação na capacidade

    Não há folga: uma frenagem, uma manobra de entrada, e a fila se forma.

  6. F

    A demanda passou da capacidade

    A fila cresce enquanto a demanda durar, e o desempenho deixa de ser explicado pelo elemento isolado.

    Onde a análise determinística não basta

Como é feito

Em que grandeza cada elemento é medido

Cada elemento tem a sua grandeza, e aplicar a mesma a todos é o que faz o estudo voltar da análise do órgão.

  1. 01

    Rodovia de pista dupla

    Densidade

    veículos por km por faixa

    A velocidade se mantém alta até perto da capacidade e só então despenca. A densidade mostra o aperto antes.

  2. 02

    Rodovia de pista simples

    Tempo em pelotão

    ou densidade de seguidores

    O que pesa é ficar preso atrás de alguém sem poder ultrapassar. Vale a edição do manual que o PER da concessão ou o termo de referência fixar: 1998, 2000, 2010 ou outra.

    199820002010ou outra

  3. 03

    Interseção semaforizada

    Atraso de controle

    segundos por veículo

    Calculado por movimento, por aproximação e para a interseção inteira.

  4. 04

    Interseção não semaforizada

    Atraso por movimento

    segundos por veículo

    Limiares mais severos que os do semáforo, e sem NS único: a média esconderia justamente o movimento que espera.

  5. 05

    Rotatória

    Atraso por faixa

    segundos por veículo, em cada aproximação

    A capacidade da entrada depende da aceitação de brecha no anel, e não do número de faixas desenhado na planta.

Entrada do cálculo

O que entra no cálculo

  1. 01Volume por movimento e por classe de veículo na hora de projeto
  2. 02Fator de hora-pico
  3. 03Geometria
  4. 04No semáforo, o plano em operação
  5. 05Caminhão e ônibus entram com equivalência própria, que cresce em rampa

O volume vem da contagem de veículos e, quando importa de onde a viagem vem, da pesquisa origem-destino.

Cenários

  1. Situação atual verificada contra o campo
  2. Ano de abertura
  3. Horizonte de projeto

O crescimento aplicado entre os dois move o resultado inteiro e entra declarado no memorial.

Software

  • HCSO HCS executa o Highway Capacity Manual como publicado.
  • SIDRAO SIDRA resolve a rotatória pela aceitação de brecha.
  • PTV VissimQuando a fila decide, a conta vai para a microssimulação, em Vissim.

Referência Highway Capacity Manual (HCM), do Transportation Research Board, na edição que o PER ou o termo de referência fixar · Manual de Estudos de Tráfego e Manual de Projeto Geométrico de Rodovias Rurais, do DNIT.

Precisão e validação

Onde a análise determinística basta, e onde ela não basta

O procedimento do manual trata cada elemento como uma unidade fechada, com demanda constante no período. Quando isso corresponde à rua, o cálculo basta e cabe num memorial que o analista do órgão refaz na planilha dele.

Fecha no cálculo

O elemento opera abaixo da capacidade, e a fila de um não alcança o outro.

  • Interseção isolada
  • Acesso de empreendimento em via arterial
  • Verificação de trecho rodoviário
  • Dimensionamento de rotatória

HCS · SIDRA

Pede microssimulação

A fila é o que está em jogo: o atraso depende de quanto tempo a saturação dura, e o procedimento determinístico não responde isso. É também o caso do nível F.

  • Interseções tão próximas que a fila de uma bloqueia a de trás
  • Demanda acima da capacidade em parte do período
  • Faixa exclusiva de ônibus
  • Travessia de pedestre carregada

Microssimulação em PTV Vissim

Pedir simulação onde a planilha resolve encarece o estudo sem mudar o resultado.

A verificação

  1. 1

    Cenário atual calculado

    o procedimento aplicado ao que existe hoje, antes de qualquer projeção.

  2. 2

    Confronto com o campo

    fila observada, tempo de percurso e, onde houver, fluxo de saturação.

  3. 3

    Só então o futuro

    enquanto o cálculo não reproduz o que já está na rua, o cenário futuro não tem o que o sustente.

O mesmo cálculo sustenta

Formatos de entrega

O que chega na sua mão

A entrega central é o memorial de cálculo, elemento por elemento e cenário por cenário. Ele traz o dado de entrada, o procedimento aplicado, o resultado intermediário e o nível de serviço final. O encadeamento permite a qualquer analista refazer a conta. Um relatório que traz só o nível de serviço não é conferível, e é por isso que ele volta do órgão pedindo complementação.

Junto vão as planilhas em formato aberto, com os volumes tratados, o fator de hora-pico e as equivalências de veículo pesado aplicadas. Elas existem para que o analista altere uma premissa e veja o que muda, sem depender de quem escreveu o estudo. Vão também os arquivos nativos de cada elemento calculado e o quadro-resumo, que reúne elementos, cenários e o NS de cada um numa página só.

Memorial de cálculopor elemento · por cenário
  1. dado de entrada
  2. procedimento aplicado
  3. resultado intermediário
  4. nível de serviço final
Planilhasformato aberto
volumes tratados
fator de hora-pico
equivalências de veículo pesado
Quadro-resumoelementos · cenários · o NS de cada um
AtualAberturaHorizontePista duplaPista simplesSemaforizadaNão semaforizadaRotatória

Como o estudo se organiza

As 7 fases

  1. 01

    Escopo e cenários

    definição dos elementos que entram na análise, dos cenários e do horizonte, a partir do termo de referência.

  2. 02

    Levantamento de campo

    contagem classificada por movimento na hora de projeto, geometria do elemento e, onde o procedimento exigir, velocidade e tempo de percurso.

  3. 03

    Tratamento do dado

    consolidação dos volumes, fator de hora-pico, equivalência de veículo pesado e composição da hora de projeto.

  4. 04

    Cálculo do cenário atual

    aplicação do procedimento a cada elemento, na grandeza que corresponde a ele.

  5. Verificação contra o campo

    confronto entre a fila e o tempo de percurso calculados e os medidos, antes de qualquer projeção.

    antes de qualquer projeção ver A verificação

  6. 06

    Cenários futuros

    recálculo para o ano de abertura e para o horizonte de projeto, com a premissa de crescimento declarada.

  7. 07

    Memorial e entrega

    consolidação do memorial de cálculo, das planilhas em formato aberto e do quadro-resumo.

Perguntas frequentes

Isso está no termo de referência, e não no manual. O Highway Capacity Manual descreve o que cada nível significa; ele não estabelece qual deles é aceitável. Quem fixa o limite é o órgão que analisa, o contrato de concessão ou a lei municipal. Esse limite muda conforme a classe da via e o horizonte considerado. O estudo calcula o NS com o procedimento correto e declara a premissa; a decisão sobre o aceitável é de quem analisa.

Não. São grandezas diferentes sob a mesma escala de A a F. O NS da rodovia sai da densidade e o da interseção sai do atraso, e os limiares de cada uma foram estabelecidos separadamente. Um corredor com trecho em nível B e interseção em nível E opera no nível E, porque é a interseção que determina quanto passa. Tirar média dos níveis de serviço de elementos diferentes não tem significado técnico.

Nos casos em que a fila não é o problema, sim. Interseção isolada, acesso único, trecho de rodovia sem interferência: o cálculo fecha e o memorial sustenta a conclusão diante do órgão. A microssimulação entra quando o comportamento da fila é o que decide. Aí ela tampouco substitui o cálculo, porque a calibração da simulação é conferida contra o resultado determinístico.

Vale, com a calibração feita. Os procedimentos dele são o que órgão e concessionária adotam no Brasil, e é por isso que o termo de referência costuma citá-lo pelo nome.

O que não vem pronto são os parâmetros locais. Fator de hora-pico, equivalência de caminhão em rampa e velocidade de fluxo livre saem de medição no trecho. A tabela padrão do manual serve como ponto de partida. Entram junto os manuais do DNIT de estudos de tráfego e de projeto geométrico de rodovias rurais, no que tratam de classificação de veículo.

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O estudo sai com o memorial de cálculo de cada elemento analisado.